Em língua tupi, pea é caminho e abiru é gramado amassado. Em guarani quer dizer caminho de grama que forma veludo nos pés. Peabiru significa também estrada para baixo, para os mundos de baixo, para os mundos interiores.
A designação Caminho do Peabiru foi
empregada pelo jesuíta Pedro Bozano em sua obra “História da Conquista do
Paraguai, Rio da Prata e Tucumán, no início do século XVIII”, mas algumas
fontes informam que o termo já era utilizado logo após o “descobrimento do
Brasil” pelos portugueses, em 1500.
O Caminho do Peabiru era uma rota
transcontinental pré-colombiana que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico,
tinha cerca de 4 mil quilômetros, partindo dos litorais catarinense, paulista e
paranaense até a costa do Peru e do Chile.
Era
uma rede de vias leste-oeste-leste, que partindo do litoral brasileiro, quando
chegava à Bolívia ligava-se às sofisticadas estradas dos incas e também de
povos pré-incaicos. No Brasil,
verificam-se trechos de cerca de 1,40 m de largura, com 40 centímetros de
talude, eram forrados com um tipo de grama que se replantavam facilmente devido
à engenhosidade nativa. Tais gramas possuíam sementes glutinosas, que aderiam
aos pés e calcanhares dos índios, propagando-se conforme estes percorriam a
trilha.
Pesquisadores apresentam hipóteses sobre os prováveis construtores
desse caminho: 1) O povo itararé, que habitavam
o sul brasileiro e eram provenientes do planalto central; 2) O povo guarani; 3)
Os incas; 4) Uma figura lendária chamada de Sumé pelos índios, mas tida como
São Tomé pelos padres jesuítas.
Conta-se que “Sumé”, ao
ser perseguido pelos tupinambás, índios que habitavam a região, foi para o
Paraguai e dali para o Peru. Para essa travessia, teria aberto uma estrada que
ficou conhecida como “Peabiru” ou “Caminho das Montanhas do Sol”.
Conforme
estudos realizados, esse caminho foi construído para unir as nações sul-americanas
e seguia a malha magnética da Terra. Afirma-se ainda que os povos indígenas buscavam um lugar
lendário, A Terra sem Mal, existente em algum lugar do Atlântico.
No caminho, existiam vários ramais,
partindo da Capitania de São Vicente, em São Paulo, passavam pelas regiões das
atuais cidades de São Paulo; Sorocaba; Botucatu; Tibagi; Ivaí; Alto Piquiri e
Foz do Iguaçu, no Brasil, Assunção, no Paraguai, Cuzco, no Peru, chegando à
costa do Peru e do Chile. Ramais adicionais partiam do litoral de Santa
Catarina (Cananéia e Florianópolis) e do Rio Grande do Sul.
Pesquisas recentes informam ainda
que o caminho passava pelo Rio Itapocu, em Santa Catarina, anteriormente
conhecido pelos guaranis como Tape puku, que significa “caminho comprido”, ou
seja, “o rio que percorre o caminho comprido”.
Essas pesquisas mostram que existem vários Itapocus (Tape Pukus) no Paraguai e no Mato Grosso do Sul/BR, e que eram pontos geográficos importantes ao longo do caminho, ou sinalizadores do Peabiru.
Essas pesquisas mostram que existem vários Itapocus (Tape Pukus) no Paraguai e no Mato Grosso do Sul/BR, e que eram pontos geográficos importantes ao longo do caminho, ou sinalizadores do Peabiru.
O Peabiru em território brasileiro
abrange todo o seu litoral, chegando à Amazônia, o que nos mostra que, além da
ser uma rota leste-oeste, também o era no sentido norte-sul.
Quando os colonizadores europeus
chegaram à América do Sul esta ainda era a estrada conhecida e foi utilizada
por eles, tanto para desbravar e explorar o continente, quanto para alcançar as
terras dos incas, saquear e destruir seu povo.
