segunda-feira, 4 de maio de 2015

CAMINHO DO PEABIRU

 Este texto foi baseado nas experiências dos participantes do Projeto Portal, associação fundada pelo pesquisador e ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira.

                Em língua tupi, pea é caminho e abiru é gramado amassado. Em guarani quer dizer caminho de grama que forma veludo nos pés. Peabiru significa também estrada para baixo, para os mundos de baixo, para os mundos interiores.

            A designação Caminho do Peabiru foi empregada pelo jesuíta Pedro Bozano em sua obra “História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán, no início do século XVIII”, mas algumas fontes informam que o termo já era utilizado logo após o “descobrimento do Brasil” pelos portugueses, em 1500.
            O Caminho do Peabiru era uma rota transcontinental pré-colombiana que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico, tinha cerca de 4 mil quilômetros, partindo dos litorais catarinense, paulista e paranaense até a costa do Peru e do Chile.
            Era uma rede de vias leste-oeste-leste, que partindo do litoral brasileiro, quando chegava à Bolívia ligava-se às sofisticadas estradas dos incas e também de povos pré-incaicos.  No Brasil, verificam-se trechos de cerca de 1,40 m de largura, com 40 centímetros de talude, eram forrados com um tipo de grama que se replantavam facilmente devido à engenhosidade nativa. Tais gramas possuíam sementes glutinosas, que aderiam aos pés e calcanhares dos índios, propagando-se conforme estes percorriam a trilha.   
            Pesquisadores apresentam hipóteses sobre os prováveis construtores desse caminho: 1) O povo itararé, que habitavam o sul brasileiro e eram provenientes do planalto central; 2) O povo guarani; 3) Os incas; 4) Uma figura lendária chamada de Sumé pelos índios, mas tida como São Tomé pelos padres jesuítas.
            Conta-se que “Sumé”, ao ser perseguido pelos tupinambás, índios que habitavam a região, foi para o Paraguai e dali para o Peru. Para essa travessia, teria aberto uma estrada que ficou conhecida como “Peabiru” ou “Caminho das Montanhas do Sol”.
            Conforme estudos realizados, esse caminho foi construído para unir as nações sul-americanas e seguia a malha magnética da Terra. Afirma-se ainda que  os povos indígenas buscavam um lugar lendário, A Terra sem Mal, existente em algum lugar do Atlântico.
            No caminho, existiam vários ramais, partindo da Capitania de São Vicente, em São Paulo, passavam pelas regiões das atuais cidades de São Paulo; Sorocaba; Botucatu; Tibagi; Ivaí; Alto Piquiri e Foz do Iguaçu, no Brasil, Assunção, no Paraguai, Cuzco, no Peru, chegando à costa do Peru e do Chile. Ramais adicionais partiam do litoral de Santa Catarina (Cananéia e Florianópolis) e do Rio Grande do Sul.
            Pesquisas recentes informam ainda que o caminho passava pelo Rio Itapocu, em Santa Catarina, anteriormente conhecido pelos guaranis como Tape puku, que significa “caminho comprido”, ou seja, “o rio que percorre o caminho comprido”.
Essas pesquisas mostram que existem vários Itapocus (Tape Pukus) no Paraguai e no Mato Grosso do Sul/BR, e que eram pontos geográficos importantes ao longo do caminho, ou sinalizadores do Peabiru.
            O Peabiru em território brasileiro abrange todo o seu litoral, chegando à Amazônia, o que nos mostra que, além da ser uma rota leste-oeste, também o era no sentido norte-sul.

            Quando os colonizadores europeus chegaram à América do Sul esta ainda era a estrada conhecida e foi utilizada por eles, tanto para desbravar e explorar o continente, quanto para alcançar as terras dos incas, saquear e destruir seu povo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário